Há muito tempo não vou a uma pré-estreia. Afinal de contas, pré-estreias costumam significar cinema lotado, serviço a desejar, confusão, barulheira, mas… Quem se importa? Estava muito, muito curiosa para conferir a cabeleira de fogo esvoaçante da Merida, a escocesinha simpática, impetuosa e dona de si do filme “Valente”, a nova obra de arte da Pixar.
Graças a minha prima Line (que insiste em ser chamada de Carol), que foi amável o bastante para chegar ao shopping mais cedo e garantir nossos ingressos, lá fomos nós, felizes, conferir as aventuras de Merida em primeira mão.
“Você já chegou”? – ela me envia um SMS.
“Sim, estou na porta do cinema” – respondi. Ao olhar o relógio, porém, percebi que ainda tínhamos um tempinho, o que nos fez correr à livraria, pois queria dar um livro à Júlia, minha filha de 10 anos, motivo deste blog e que, pasmem, está crescendo!
- Que livro é? – Pergunta minha prima Carol…ine!
- É um livro que se chama “Preparar… Apontar… Crescer! – Ele fala da puberdade, as mudanças do corpo, achei que seria legal a Júlia ler.
Falando em Júlia, onde estava ela? Ah, é, com o Enzo. O Enzo e a prateleira dos “beyblades”. (Para quem não sabe o que é isso, trata-se dos peões que são febre entre a meninada).
-Mãe, leva um! – Enzo pediu, com aquela cara de Gato do Shrek, como se nunca tivesse ganhado um Beyblade em sua vida!
-Até que ele tinha muitos, mas perdeu quase todos. – a mãe explicou, e depois suspirou.
-Mãe… – continuou o menino – Esse aqui é baratinho!
-Estamos em uma livraria, Enzo. Se quiser, te dou um livro!
E lá fomos nós para a sessão infanto-juvenil. “O que você escolher eu levo” – a mãe prometeu.
-Esse! – e o menino mostra o exemplar nas mãos, todo orgulhoso da sua escolha.
-Esse não, Enzo. Esse aí é tipo um manual pra montar aviãozinho, deve ser duzentos milhões de dólares esse livro, vem até com as peças, olha aí…
-Então esse! – mostra ele, segundos depois.
-Ah, não, esse aí é pra menino de 2 anos de idade!
-Esse aqui? – Enzo tenta argumentar, parecendo um mini-vendedor de enciclopédia Barsa.
-Bem… Esse aí… Acho que esse aí é mais apropriado para o seu irmão…
-Olha, mãe, esse aqui você vai achar legal. – o menino insiste.
-”Coisas perigosas para meninos?”- Huuum… Acho que já te dei um parecido, vamos levar outro.
-MÃE!!!!!! VOCÊ DISSE QUE ERA O QUE EU ESCOLHESSE!
A livraria toda se vira para nós, e eu, timidamente, opino, sem prever o olhar de raiva mais avermelhado que os cabelos de Merida que enfrentaria depois:
-O menino tem razão…
-Mãe, esse aqui é da hora, é 3D, de Dinossauro, e custa R$12,90!
De repente, a música “12,90″ soou feito música clássica nos ouvidos de Carol.
Livros nas mãos, fomos felizes ao cinema.
Impossível não se apaixonar com a perfeição dos cabelos cor de fogo de Merida, que parecem nos hipnotizar durante todo o filme, colorindo quadro por quadro e formando pontinhos vermelhos na nossa vista. Cabelos que voam ao vento, cabelos que parecem ter vida própria, cabelos que…
-Mãe…
-Oi, filha.
-Por que os pelos ‘públicos’ não são os do sovaco?
-O quê, Juju?
-Deviam ser, já que são eles os que aparecem…
Oh, céus, havia me esquecido do “Preparar… Apontar… Crescer!”, um pouco diferente dos manuais de aviõezinhos e dos Dinossauros 3-D…
Mas tudo bem: ao menos a gente cresce e continua curtindo desenhos animados…