Na volta da casa do meu irmão, onde Juju(9) brincou com os primos, no carro, à noite, com chuva:
-Mãe…
-Oi.
-Acho que o mundo seria melhor se não existisse o dinheiro.
-Como assim, filha, ia ser difícil, não acha?
-Ah, mãe, ia ser melhor. Aí todo mundo ia viver tranquilo… Tipo… Cada um fazia a coisa que sabia… Assim, se a pessoa sabe fazer suco em lata, ela faz…
-Hã?
-E a outra pessoa fazia outra coisa, e cada um fazia uma coisa, e assim as pessoas iam trocando.
-Mas como a pessoa vai fazer suco em lata se ela não tem dinheiro? E a máquina para fazer a lata?
-Ela faz a máquina também…
-Júlia, antes era assim. Por exemplo, tinha um criador de ovelhas e um agricultor que plantava tomate. Aí um tosava a ovelha e entregava a lã, e o outro dava de volta um quilo de tomates… Entendeu?
-Então, tinha que ser assim…
-Júlia, a questão não é o dinheiro deixar de existir. A questão é todo mundo ter uma quantidade de dinheiro que deixa a pessoa ter uma vida legal, entende?
-É… A gente não tem luxo, mas tem uma vida legal…
-Pois é (concordo, fazer o quê? =D )
-E por que a pessoa que tem a empresa ganha mais do que quem trabalha nela?
-Porque a pessoa construiu a empresa, Júlia.
-Mas isso não é justo!
-Filha, é sim, pensa, a empresa ganha 100, aí tem 5 funcionários, cada um ganha 10 e quem tem a empresa fica com 50.
-Mas todo mundo tinha que ganhar igual!
-E se alguém trabalha muito e o outro não trabalha nada, tem que ganhar igual?
-…
-E as vezes, o que trabalha, pode querer um dia ter uma empresa também…
-…
-Às vezes eu faço massagem no seu ombro e ganho 1 real.
-Pois é, filha!
-Mas às vezes eu faço assim mesmo e não quero ganhar nada.
-ISSO é justo!





Que linda…
Esse final foi inesperado. E simplesmente lindo, Luiza!